• Matheus Dantas

FILME SOUL E A INCANSÁVEL BUSCA PELO PROPÓSITO

Atualizado: Jan 6

Lançado no dia 25 de dezembro desse ano, o filme Soul, da Pixar, já se tornou um dos filmes favoritos do ano de muitas pessoas ao retratar um tema tão importante com bastante sensibilidade. É o típico filme feito para adultos, mas que qualquer criança pode assistir: um jeito bem Pixar de ser. Decidi compartilhar algumas reflexões nesse último post do ano.

Soul filme pixar

Para começar, já adianto que não leia esse texto ter assistido ao filme antes.


Tem muitos spoilers.


Inclusive recomendo que não veja nada sobre a história ou o trailer, para que assista sem conhecer muito e possa ser pego de surpresa.


Embora eu costumo trazer análises das narrativas de filmes e séries, esse é mais um daqueles textos para pensar sobre algumas questões abordadas em Soul.


Propósito é uma temática que o filme traz e que eu sempre tive interesse em estudar mais, além de ter tido diversas conversas com amigos sobre esse assunto, sobre encontrar uma razão para nossa existência.


Afinal, nascemos por que temos algo importante para fazer no mundo?


Soul conta a história de Joe Gardner, um cara que sonha ser um músico de jazz. No início, ele recebe uma proposta de emprego para trabalhar como professor de música para crianças em uma escola, mas ele demonstra não se sentir muito realizado, pois não fica tão feliz com a notícia.


A mãe dele fica muito feliz por ele alcançar uma estabilidade, através de um salário fixo, mas Joe hesita em aceitar o trabalho, pois não é o que ele busca. Talvez por medo de não conseguir novas oportunidades ou por não aceitar que ainda não realizou seu sonho, o protagonista se sente bastante incomodado com a reação de sua mãe.

pré-vida filme soul da pixar
O ambiente da Pré-Vida

Talvez nesse ponto do texto você imagine que se trate de algo mais voltado para esse ambiente profissional, sobre trabalho. Mas vai muito além!


Um tempo depois, o personagem consegue uma chance de tocar em uma banda famosa. Contudo, nesse mesmo dia, no meio dessa felicidade, ele sofre um acidente e sua alma é levada até o Pré-Vida, um lugar onde se formam novas almas.


Para que isso ocorra, é preciso ter um "passe", que é composto por:


Passe = personalidade + missão de vida na Terra


Enquanto a personalidade é formada nesse lugar, cada alma precisa encontrar sua missão indo em algumas salas. Você busca encontrar sua missão de vida?


Sim, porque muitas pessoas podem ter crescido ouvindo que temos uma missão para cumprir e que nascemos para realizar determinadas coisas. Se não, talvez você simplesmente busque uma razão, um motivo maior. Qual seria o sentido de tudo de não há um porquê?


Eu mesmo sempre fui essa pessoa que buscou entender qual o meu propósito. Foram vários e vários testes na internet e conversas com amigos, para entender minhas principais habilidades e facilidades, combinadas aos gostos pessoais e uma vontade de enorme de fazer a diferença.


É nesse momento, no filme, que Joe conhece uma alma precoce, chamada 22, que nunca quis ir para a Terra e nunca entendeu o que tinha de tão interessante por aqui, mesmo estando em contato com diversas figuras conhecidas. Na verdade, o que falta é descobrir sua missão e, portanto, nunca obteve aquele passe para ir à Terra.


E aqui se instaura um conflito bastante interessante: enquanto 22 não quer de maneira alguma ir para a Terra, Joe tenta desesperadamente fazer isso para que, então, ele viva sua chance de tocar em uma banda e cumpra sua missão, que, para ele, é a música.

Joe (como gato) e 22 (como Joe) no cabeleleiro.

Com o desenrolar da história, 22 concorda em ajudar o protagonista a voltar para sua vida, porém a alma acaba entrando no corpo de Joe, o que a faz ter a oportunidade de conhecer a vida humana e experimentar diversas situações.


22, por nunca ter vivido na Terra, olha para coisas até então "pequenas", mas que se tornam extraordinárias, desde aprender a andar, comer pizza pela primeira vez, ver uma folha caindo de uma árvore, até prova um pirulito.


E quanto você e eu? Nós nos permitimos curtir todas as experiências que a vida nos oferece?


Apenas por essa pequena descrição da história, já se percebe como Joe se perdeu tentando buscar incansavelmente sua missão. Perdeu sua própria vida (não literalmente a princípio), pois estava focado em cumprir seu propósito e deixou de aproveitar tudo o que fazia no meio de sua rotina.


E essa é uma das grandes mensagens do filme: aproveitar. Aproveitar os momentos, as pessoas e tudo o que acontece enquanto se vive.


Como o personagem também associou sua missão de vida com o seu trabalho, sua vida girou em torno de busca a sua grande oportunidade e isso o consumiu.

joe gardner filme soul pixar metro
Joe Gardner no metro

E ele só de dá conta disso quando, mais pro final do filme, Joe finalmente vive a sua chance e toca na banda, mas ao término da noite, fica se questionando "e agora?". Afinal, sua missão, que era a música, finalmente foi cumprida após incansáveis anos buscando isso.


Inevitavelmente nos colocamos no lugar do personagem: imagina viver o seu sonho, para depois ficar com a sensação de "então é só isso mesmo?".


Precisamos aprender que tudo na vida passa.


Essa é uma frase que ouvi durante toda a minha adolescência, acompanhado de um conselho do meu pai que sempre me disse para aproveitar tudo o que eu pudesse.


2020 (finalmente) chega ao fim. Foi um ano tão intenso, com diversos acontecimentos, uma pandemia mundial e penso como precisamos sair disso tudo com algum aprendizado.


Em menos de 1 ano, eu perdi dois familiares muito próximos e, ao lado de minha família, seguimos aprendendo a lidar com o sentimento de luto. Eu me solidarizo com todas as pessoas que perderam alguém, não apenas nesse ano, mas ao longo de suas vidas.


Quando meu avô faleceu, ficaram falando muito o quanto ele curtiu a vida dele e que fez tudo aquilo que teve vontade. Aprendi com ele (e com esse ano) - e também é o tema de Soul - a importância de realmente aproveitarmos cada momento, sermos gratos pela nossa vida e por aquilo que já temos.


Talvez seja cultural que o final de ano seja acompanhado de muitas reflexões, afinal muito se vê o ano novo como um encerramento e início de novos ciclos. Todo mundo sabe que nada muda magicamente da noite para o dia, mas a data ainda nos ajuda a ressignificar e buscar coisas novas.


No final de julho, eu compartilhei um texto que expressava (e ainda expressa) um sentimento daquele momento. Ao final dele, eu falo sobre as resoluções de ano novo, que foram abaladas e precisavam ser revistas, repensadas ou até jogadas fora.


Por isso, que no meio das metas para 2021, nós possamos colocar:


Aproveitar a jornada!


Talvez a gente se perca em alguma fase de nossas vida se ocupando em buscar e/ou cumprir nosso propósito. Nossa missão não seria viver? Curtir o privilégio da vida e tornar essa rápida passagem na Terra uma experiência incrível e inspiradora.


Desejo a cada pessoa que ler esse texto um ano novo feliz, de muito aprendizado e adaptação às situações externas, mas muito aproveitamento de oportunidades e momentos.


Encerro esse texto com uma frase de Soul:

⁠Tem uma história sobre um peixe. Esse peixe foi até um ancião e disse:
- Tô procurando um negócio. Um tal oceano. 
- O oceano? 
- O ancião falou. Você está no oceano. 
- Isso? - Disse o peixinho. 
- Isso aqui é água. O que eu quero é o oceano.

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