• Matheus Dantas

CIDADE INVISÍVEL | CRÍTICA E ANÁLISE DA NARRATIVA

Atualizado: Fev 25

Mais uma série nacional da Netflix que desde sua estreia já está na listas de mais assistidas. Com a presença de personagens do folclore brasileiro, Cidade Invisível se destaca pela boa ideia e nesse post tem sua narrativa analisada.

Cidade Invisível Netflix

Sobre a série


Cidade Invisível conta a história de Eric (Marcos Pigossi), um policial ambiental do Rio de Janeiro que busca respostas sobre o falecimento de sua esposa, Gabriela (Julia Konrad), que morreu em um misterioso incêndio em uma floresta alvo de uma construtora. Enquanto investiga o que aconteceu, ele se encarrega de uma ocorrência envolvendo um boto cor-de-rosa morto no Aterro do Flamengo, o que leva o protagonista a se envolver com figuras do folclore brasileiro.


A série tem 7 episódios, com uma duração de 30-40 minutos cada um, montados para uma boa maratona no final do semana para quem gostar de suspense.


Esse post contém spoilers de Cidade Invisível.


Análise da narrativa


Estudo dramaturgia e gosto de assistir séries, filmes e musicais para entender como as histórias são contadas. Abaixo, compartilho o que estou aprendendo e o que consegui identificar de técnicas de roteiro e alguns pontos interessantes sob essa perspectiva da narrativa.


Dilema do protagonista e conflito central


Um dos elementos muito importantes para uma série é que o protagonista tenha um dilema, que no caso dessa série, para Eric é a relação família X trabalho. Embora isso se intensifique após o falecimento de Gabriela, nas cenas do passado já é possível identificar essa dificuldade de estar mais presente para sua filha, Luna (Manuela Dieguez), enquanto se dedica com mais afinco ao trabalho. Esse dilema precisa durar todas as temporadas e ser resolvido no último episódio da última temporada.

Eric e Luna.
Eric e Luna.

Enquanto isso, o conflito central a primeira temporada se concentra na investigação da morte de Gabriela, cujas perguntas envolvem despertar a curiosidade para saber o que aconteceu e quem a matou. Logicamente, a cada episódio vão sendo adicionadas novas informações e isso só é resolvido no último episódio da temporada.


Desenvolvimento dos episódios


Os episódios tem uma estrutura bem definida: o início apresenta um pequeno trecho da origem de um personagem folclórico, seguido da abertura da série, a qual se assemelha bastante a Dark, e então segue a trama principal no presente. Esse flashback ajuda a compreender as atitudes desses personagens que agora estão inseridos no cotidiano e cria uma dinâmica para o público buscar sempre saber quem é quem.


Embora adivinhar não seja muito difícil, os personagens que aparecem, por exemplo, são: Saci, como Isac (Wesley Guimarães), um jovem morador de uma ocupação que usa prótese no lugar da perna e uma bandana vermelha na cabeça; Inês (Alessandra Negrini), que, embora não revele sua identidade logo de cara, é a Cuca, se mostra ao cantar a canção "nana neném, que a Cuca vem pegar"; Camila (Jéssica Córes), como Iara, que canta em uma bar da cidade do Rio de Janeiro. Outros folclores que aparecem são o boto cor-de-rosa, bicho-papão, curupira, corpo seco.

Eric e o boto cor-de-rosa.

Contudo, apesar de essa parte da série ser bastante atrativa, levando em conta que o folclore brasileiro chegará em mais países, algumas das subtramas poderiam ter sido mais desenvolvidas caso houvesse mais episódios. Muitas dessas histórias despertam um curiosidade, mas em detrimento do tempo, acaba não desenrolando tanto, já que a jornada principal é a de Eric.


Um exemplo disso é a história dos moradores do Aterro do Flamengo, que querem proteger suas casas e a floresta, o que abre o tema da importância da proteção ambiental. Ainda que Cidade Invisível seja predominantemente de uma narrativa clássica, focada na unidade de ação, a série acaba não sendo forte o suficiente para sustentar as discussões a que se propõe.

Inês interrogada na investigação dos policiais.

O final da temporada é satisfatório, com um gancho interessante para uma possível segunda temporada, caso seja renovada.


De forma geral


Cidade Invisível acerta bastante em trazer os personagens folclóricos e contextualizá-los no dia a dia, ainda que isso possa não agradar muitas pessoas. Apesar de alguns pontos negativos, essa é uma série recomendada para quem busca algo mais leve e sério ao mesmo tempo e também para maratonar no final de semana.


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