• Matheus Dantas

EMILY IN PARIS | CRÍTICA E ANÁLISE DA NARRATIVA

Atualizado: Jan 6

Eu paguei minha língua ao falar que não curtia muito a trama, com base apenas na sinopse dessa série, mas logo depois estava eu bastante envolvido com esses episódios. Nesse post eu compartilho um pouco sobre os principais pontos que chamaram atenção de Emily in Paris e sobre algumas técnicas de roteiro que eu identifiquei.

Emily in Paris Resenha Emily in Paris Crítica Análise da narrativa

Sobre a série


Emily in Paris conta a história de Emily, que recebe uma proposta de trabalho em uma agência de marketing e se muda de Chicago para Paris. Os episódios acompanham a vida e rotina dela com os desafios do trabalho, seus interesses amorosos e os novos amigos. Ao todo são 10 episódios, com duração média de 25 a 30 minutos e está disponível na Netflix.


Outros personagens presentes que destaco são: Mindy (Ashley Park), sua primeira amiga na França, com quem Emily compartilha as alegrias e as dores, e é responsável por boas partes de comédia na série; Gabriel (Lucas Bravo), um chef de cozinha e vizinho de Emily, que desperta alguns sentimentos amorosos pela protagonista; além dos próprias colegas de trabalho na agência.


Esse post contém spoilers de Emily in Paris.


O roteiro


Estudo dramaturgia e gosto de assistir séries, filmes e musicais para entender como as histórias são contadas. Abaixo, compartilho o que estou aprendendo e o que consegui identificar de técnicas de roteiro e alguns pontos interessantes sob essa perspectiva da narrativa.


Conflito central e a problemática de caráter de Emily


Um dos pontos fundamentais em toda história é identificar qual o conflito central. No caso dessa série, isso fica evidente desde a sinopse, mas também nos primeiros minutos do primeiro episódio que é a adaptação da vida da protagonista em Paris. Isso é intensificado por alguns fatores, como o fato de Emily não falar a língua francesa, não ter causado boas impressões e ter dificuldades de se relacionar com seus novos colegas de trabalho, além da sua própria instalação no apartamento onde passa a morar.


Nas narrativas clássicas, o personagem principal passa por uma transformação, por isso ele precisa ter algum defeito. A problemática de caráter na protagonista é apresentada desde o primeiro episódio, mas eu só consegui identificar ao longo da temporada: ela quer todas as coisas sejam feitas do seu próprio jeito, impondo suas vontades aos demais. Isso conversa diretamente com uma temática presente na série, que é a relação dos americanos e franceses, abordado no tópico seguinte.


Americanos X Franceses


Essa foi uma polêmica da série, especialmente pela recepção negativa da crítica francesa. Emily in Paris retratou a cidade e o comportamentos dos franceses com uma visão bastante norte-americana, o que tornou essa representação caricata. Aliado à protagonista que busca fazer tudo do seu próprio jeito, a impressão que fica é que os norte-americanos são mais politicamente corretos, enquanto os franceses se deixam levar pelas próprias vontades.


Esse fator se estende a diversas esferas, incluindo o trabalho, as relações amorosas e de amizade. Como o conflito central é a adaptação, Emily tenta equilibrar sua vida manter seus "valores" norte-americanos, mas precisa se adequar à nova vida na França, o que a leva a tomar certas atitudes, como trair, viver um triângulo amoroso, se relacionar com pessoas do trabalho, entre outras coisas, que ela supostamente não faria em Chicago. No 9º episódio, Mathieu (Charles Martins), sobrinho de um dos clientes da agência, fala que "franceses fazem amor em tempos sombrios", e Emily responde que ela "não é assim tão francesa".

Emily in Paris Sylvie Antoine
Sylvie e Antoine

Técnica Plant


Plant é uma técnica para plantar um elemento no início de uma história e colher no final da trama em forma de piada, reviravolta ou resolução de conflito. Eu percebi que isso foi feito tanto ao longo da temporada, quanto no início e fim de episódios específicos. Abaixo são dois exemplos:

  • No 3º episódio, Emily está conversando por chamada de vídeo com sua chefe de Chicago e se depara com um dos mictórios a céu aberto de Paris, o que deixa subentendido algumas ações seguintes. Após isso, Emily compartilha com a equipe francesa uma série de normas de bons comportamentos, que vieram da agência americana; revoltado, Luke (Bruno Gouery) desenha um pênis nos papeis da mesa de trabalho de Emily. No final, ela envia um bolo no mesmo formato para esse colega de trabalho, o que tornou esse elemento uma piada.

  • No 7º episódio, o elemento plantado foi a de um "final feliz" (que também é o título do episódio). Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu), chefe de Emily, conta que vai realizar uma viagem com Antonie (William Abadie) no final de semana. Nas cenas seguintes, Emily fala que gosta muito de uma atriz americana, que está em Paris, e de filmes pelos finais felizes, enquanto seus colegas de trabalho, Luke e Julien (Samuel Arnold) preferem os filmes de finais franceses, os quais, segundo eles, são mais parecidos com a vida real. Do meio do fim do episódio, Sylvie acaba não tendo um final muito feliz, pois a esposa de Antonie descobre sobre a viagem e pensa que ele faria uma surpresa para ela, quando na verdade era uma viagem com a amante.


Plot-Twist


Trata-se de um ponto de virada, em tradução livre, utilizado como uma recurso narrativo que muda a percepção de quem está assistindo sobre determinado elemento a partir de tudo o que já aconteceu e tudo o que vai acontecer. Abaixo são dois exemplos:

  • No 4º episódio, acontece um plot-twist de identidade. No início, Emily faz uma nova amizade com Camille (Camille Razzat), que a ajuda na vida na França, inclusive no trabalho, mas no final Camille se mostra como namorada de Gabriel, o chefe de cozinha e vizinho que Emily tinha beijado.

  • No 8º episódio, também acontece um plot-twist de identidade. Emily, Camille e Gabriel fazem uma viagem para conhecer a família de Camille, a qual comenta sobre uma irmão que Emily poderia se interessar romanticamente. Ela de fato se relaciona com uma pessoa, mas esse irmão tem 17 anos e não era o que Camille comentou em primeiro lugar.

Emily in Paris Camille Emily Gabriel
Camille, Emily e Gabriel

De forma geral


Emily in Paris é uma série leve, divertida, ótima para quem busca assistir algo para descontrair. Por conta da duração dos episódios, é fácil de maratonar e vale muito a pena. Sob essa perspectiva da narrativa, eu pude aprender e analisar como a história foi contada. Agora me conta se você já assistiu essa série, se você gostou e o quais pontos narrativos você também identificou.

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