• Matheus Dantas

O GAMBITO DA RAINHA | CRÍTICA E ANÁLISE DA NARRATIVA

Atualizado: Jan 6

Amplamente divulgado pela Netflix, a minissérie é uma de suas produções sofisticadas com grande potencial para indicação ao Emmy. Nesse post eu compartilho como sua narrativa conseguiu tornar um jogo de xadrez interessante se tornando uma das minisséries mais assistidas em menos de um mês no streaming.



Sobre a série


Beth Harmon, interpretada por Anya Taylor-Joy, tem um talento nato para xadrez, mas sofre de dependência química e precisa lutar contra isso. A minissérie acompanha uma parte da trajetória de sua vida, desde a infância, a adolescência e a vida adulta, em 7 episódios, com duração de 50 a 60 minutos em média. Abaixo você pode assistir o primeiro trailer divulgado.

Trata-se de uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Walter Tavis, publicado em 1983. As pesquisas por xadrez quase dobraram dez diz após seu lançamento em relação ao do ano passado inteiro, segundo a revista Exame. Durante o mês de novembro, as pesquisas ultrapassaram o ponto mais alto de termos pesquisados desde janeiro de 2013, como apontado nessa reportagem da revista Galileu.


Esse post contém spoilers de O Gambito da Rainha.


Análise da narrativa


Estudo dramaturgia e gosto de assistir séries, filmes e musicais para entender como as histórias são contadas. Abaixo, compartilho o que estou aprendendo e o que consegui identificar de técnicas de roteiro e alguns pontos interessantes sob essa perspectiva da narrativa.


Dilema da protagonista


Beth, após descobrir seu talento, busca viver jogando xadrez. Quando ela descobre as possibilidades de fazer dinheiro jogando, isso se torna seu principal objetivo. Para isso, ela conta com sua mãe adotiva como aliada nessa trajetória. Contudo, a protagonista tem uma problemática de caráter (também considerado como um defeito) que é a dependência química, com a qual ela lida desde a infância.


Beth criança aprendendo xadrez com o zelador

Através disso, nasce o conflito da série: Beth precisa enfrentar um dilema para alcançar seu objetivo, que é fazer uso dos calmantes para visualizar melhor as possibilidades de jogadas no xadrez. Isso fica muito claro desde o primeiro episódio, quando ela, ainda criança, rouba o pote com os calmantes no abrigo em seu período de abstinência.


Enquanto nas narrativas clássicas existe a chamada ação dramática muito forte e presente, com personagens mais planos, em o Gambito da Rainha existe um aprofundamento do psicológico de Beth em vista da ação (que por algumas vezes fica em segundo plano na história), caracterizando-a como uma narrativa mais moderna. Essa problemática de caráter é bastante explorada durante todos os episódios, mas, logicamente, no final, Beth consegue superar e terminar a sua jornada transformada.



Estrutura


Minisséries costumam ser pensadas como um longa-metragem (afinal, não terá novas temporadas), por isso a estrutura serializada precisa ser muito bem construída. No caso de O Gambito da Rainha é justamente para acompanhar Beth e ver se ela conseguirá ser bem-sucedida no xadrez e como lidará com sua dependência química.


Já a estrutura procedural, que é aquela narrativa episódica, também existe e é muito presente, pois cada episódio conta uma história da vida de Beth, como é o caso do primeiro, que mostra a infância da personagem, e o segundo, que apresenta como foi sua adolescência, por exemplo. Os demais episódios mostram sua evolução nos campeonatos de xadrez, com começo e fim de fases da vida da protagonista.



A minissérie também faz uma quebra da ordem cronológica da história. No primeiro episódio, logo no início, há a presença de um flashforward, que é uma cena de algum momento do futuro; no caso, essa cena é justamente o que desperta uma curiosidade para saber como a Beth chegará naquela situação. Em seguida, já somos apresentados ao procedural do episódio, que é a sua chegada e adaptação no orfanato.


Nos episódios seguintes, todo começo apresenta um curto flashback que permite compreender mais sobre o passado da protagonista, para, então, só no último episódio, apresentar toda a situação de sua família biológica e tudo o que Beth sofreu na infância.


Beth Harmon assina autógrafo na série O Gambito da Rainha
Beth no último episódio

De forma geral


O Gambito da Rainha se tornou a minissérie roteirizada mais assistida na Netflix desde sua criação, com 62 milhões de usuários tendo assistido em seus 28 primeiros dias desde a estreia. A série realmente foi muito bem construída do ponto de vista do roteiro, além de uma fotografia muito bonita, com uma grande facilidade para maratonar e conhecer mais sobre ela.


Você que já assistiu, o que achou sobre a série?

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